MINHA OBRA-PRIMA

 

Mas que absurdo, que ousadia,

Que atitude abusada e de enorme mau gosto!

Como podem esses cabelos, quase todo dia,

Com a desculpa do vento encobrirem o seu rosto.

 

Por mais bem cuidados que sejam

E mesmo que às vezes disfarcem sua tristeza,

Não me importo o quão bem-intencionados estejam,

Não admitirei que escondam toda a sua beleza.

 

Como verei seus olhos azuis como o céu?

Como sussurrarei em seus ouvidos com essa voz rouca?

Como saborearei o seu mais doce mel

Se não puder tocar seus lábios com a minha boca?

 

Quero seu rosto livre sem nenhuma moldura

Para que seja a inspiração das minhas rimas,

Para ser a modelo para minha escultura,

Pois você é e sempre será a minha obra-prima.

 

Eduardo de Paula Barreto