MINHA OBRA-PRIMA
Mas que absurdo, que ousadia,
Que atitude abusada e de enorme mau gosto!
Como podem esses cabelos, quase todo dia,
Com a desculpa do vento encobrirem o seu rosto.
Por mais bem cuidados que sejam
E mesmo que às vezes disfarcem sua tristeza,
Não me importo o quão bem-intencionados estejam,
Não admitirei que escondam toda a sua beleza.
Como verei seus olhos azuis como o céu?
Como sussurrarei em seus ouvidos com essa voz rouca?
Como saborearei o seu mais doce mel
Se não puder tocar seus lábios com a minha boca?
Quero seu rosto livre sem nenhuma moldura
Para que seja a inspiração das minhas rimas,
Para ser a modelo para minha escultura,
Pois você é e sempre será a minha obra-prima.