MINHA DONA

 

 Prometo procurá-la novamente,

Mas por enquanto me deixe,

Preciso de outros personagens em minha mente,

Vá e por favor não se queixe.

 

Meus neurônios estão ficando debilitados,

Você deve ter usado alguma magia,

Pois eles passam as noites acordados

Preparando lembranças suas para o próximo dia.

 

Não é justo que você exerça todo o domínio

Sobre a minha cabeça,

Limitando a minha capacidade de raciocínio

E impedindo que eu adormeça.

 

Sei que num determinado dia nos prometemos

Que pertenceríamos um ao outro para sempre,

O tempo passou e reconhecemos

Que nos fundimos em um só corpo definitivamente.

 

Reconheço que sem você não sei viver,

Mas para que eu não pareça patético,

Permita-me poder sair por aí e dizer:

– Ela é minha dona, mas ainda é meu o meu cérebro.

 

Eduardo de Paula Barreto