MEU PORTO
O espelho me mostra alguém que não conheço direito,
O que sei de mim, quem realmente sou?
Vejo virtudes e encontro defeitos,
Percebo as características que o tempo mudou.
Olho profundamente em meus olhos e pergunto:
– Quem na verdade habita este corpo?
E mesmo sabendo que há décadas estamos juntos,
Sinto que sou o barco e ele é apenas o porto.
Que inveja da memória de um computador
Que com um teclar resgata imagens antigas gravadas
E nossa máquina mental considerada tão superior
Não consegue nos dizer o que aconteceu na semana passada.
Que inveja das árvores e das tartarugas
Que apesar de não terem o rótulo de humanos
Crescem e envelhecem sem apresentar rugas
E vivem mais do que nós pelo menos o triplo dos anos.
Será que cumprimos com a medida de nossa existência?