MEU PORTO

  

O espelho me mostra alguém que não conheço direito,

O que sei de mim, quem realmente sou?

Vejo virtudes e encontro defeitos,

Percebo as características que o tempo mudou.

 

Olho profundamente em meus olhos e pergunto:

– Quem na verdade habita este corpo?

E mesmo sabendo que há décadas estamos juntos,

Sinto que sou o barco e ele é apenas o porto.

 

Que inveja da memória de um computador

Que com um teclar resgata imagens antigas gravadas

E nossa máquina mental considerada tão superior

Não consegue nos dizer o que aconteceu na semana passada.

 

Que inveja das árvores e das tartarugas

Que apesar de não terem o rótulo de humanos

Crescem e envelhecem sem apresentar rugas

E vivem mais do que nós pelo menos o triplo dos anos.

 

Será que cumprimos com a medida de nossa existência?

 

Eduardo de Paula Barreto