MEU FILME EM CARTAZ
Açoites que me compelem a conquistar
Muito mais do que preciso ter.
Tormento de uma voz sempre a gritar,
A sociedade julga saber o que eu preciso ser.
As roupas que devo vestir,
A jeito com que devo comer,
Os lugares aonde posso ir,
Os livros que me permitem ler.
As opiniões que posso expressar,
O horário em que preciso dormir,
Os momentos em que me deixam chorar
E outros em que, até contrariado, tenho que sorrir.
Não tenho tempo para me anular,
Preciso pôr o meu próprio filme em cartaz,
Pois se a sociedade determinar quando o devo projetar,
Não poderei vê-lo, pois já será tarde demais.