MEU FILME EM CARTAZ

  

Açoites que me compelem a conquistar

Muito mais do que preciso ter.

Tormento de uma voz sempre a gritar,

A sociedade julga saber o que eu preciso ser.

 

As roupas que devo vestir,

A jeito com que devo comer,

Os lugares aonde posso ir,

Os livros que me permitem ler.

 

As opiniões que posso expressar,

O horário em que preciso dormir,

Os momentos em que me deixam chorar

E outros em que, até contrariado, tenho que sorrir.

 

Não tenho tempo para me anular,

Preciso pôr o meu próprio filme em cartaz,

Pois se a sociedade determinar quando o devo projetar,

Não poderei vê-lo, pois já será tarde demais.

 

Eduardo de Paula Barreto