ME RENDO
Não consigo dominar o meu pensamento,
Sinto-me profundamente irritado.
Só penso nela a todo o momento,
Terá meu cérebro sido roubado?
Incomoda não ter o controle total,
Não conseguir fechar as portas e janelas
Impedindo que de forma irracional
A cabeça seja invadida pela imagem dela.
Dormir na tentativa de fugir
É uma estratégia inútil,
Assim que fecho os olhos a vejo surgir
Até no sonho mais besta, mais fútil.
Mas que raiva eu sinto de minha fraqueza,
Não é justo que as coisas sejam assim,
Ou me submeto a ela como uma fácil presa
Ou ela me pune permanecendo dentro de mim.
Sou homem forte, maduro,
Mas reconheço que não adianta lutar
Contra o sentimento mais puro,
Me rendo, me curvo diante do verbo amar.
Eduardo de Paula Barreto