MERAS TRADIÇÕES

  

Quem disse que eu tenho que entender?

Por que tenho que participar?

Me foi dado o direito de escolher,

Portanto deixe o Universo me ensinar.

 

Minha cabeça não é roupa que se possa lavar

E minha língua não tem trava que não deixa falar.

Por isso eu grito, berro e canto, exponho o meu pensamento,

Não me importo nem um pouco com o seu julgamento.

 

Não quero adotar as tradições

Simplesmente porque me impuseram.

Vou criar minhas próprias convenções

Sem seguir aquilo tudo que disseram.

 

Não me curvo perante o barro

Nem beijo a mão do pastor,

Não permito que me ameacem

Com o enxofre e o calor.

 

Não adoto aqueles livros

Que não vi escrever,

Pois seus tolos rituais

Não vão me fazer crescer.

 

Sigo o caminho com o meu próprio pensamento

Sabendo que sou parte deste grande Firmamento.

Penso, reflito, escolho o meu trajeto,

Deito tranqüilo, pois sei que não sou um mero objeto.

 

Eduardo de Paula Barreto