MENOS HUMANO
Em meio às árvores de concreto
Caminho pisando no asfalto,
Vejo pessoas como objetos
Correndo sem demonstrar afeto,
Mendigos no chão, executivos no alto.
As pessoas impacientes
Que correm desesperadas
Lembram aquela pedra cadente
Que rola impiedosamente
Deixando plantas esmagadas.
Não há a beleza do sabiá,
Do sanhaço nem a do anum,
Tudo o que se pode encontrar
São pássaros que não sabem cantar,
Como o pardal e o urubu.
Esses pássaros mudos
E o cinza com o qual nos angustiamos
São o retrato mais puro
De que quando se troca a cerca por muros
O homem passa a ser menos humano.
Eduardo de Paula Barreto