MENINO DAS ALTURAS  
 
O poeta tem o corpo às avessas
Tudo exposto, raios X ambulantes
O cérebro fora da cabeça
E para ele tudo começa
Quando chega o último instante.
 
Ele é como a vida o fez
Uma tela para se pintar
Alquimista da sensatez
Vítima da lucidez
E de tudo o que descobrirá.
 
O poeta é o menino que olha a vida
Do buraco da fechadura
Do quarto que o abriga
Quarto sem paredes que fica
Pendurado nas alturas.
 
Eduardo de Paula Barreto
02/04/2010