MENINA PURA
Saltando nos campos floridos
Com folhas, flores e cupidos,
Lá vai a menina a cantar.
A alegria na mão fechada,
Uma folha de papel amassada
E alguém ansioso a perguntar:
— Me conte qual é o motivo
Deste tão lindo sorriso,
Não deixe a curiosidade me matar.
Apertando o papel contra o peito,
A menina, sem graça, sem jeito,
Se põe a contar:
— O meu amado se zangou comigo
No momento em que disse ser proibido
Em minha cama se deitar,
Então ele foi embora
E eu fiquei aguardando a hora
De ele me procurar.
— E o que trago nas mãos é um simples papel
O qual me transportou para o céu
Por dizer que ele está para voltar.
— Ele conta que embora tenha tido amantes,
Não se esqueceu nem por um instante,
Dos beijos que pudemos trocar.
— Que apenas os nossos beijos foram sagrados
E que só por mim foi apaixonado
Mesmo tendo tido que se controlar
E que o nosso amor não precisava de sexo
Para que tivesse nexo
Ou para que pudesse se perpetuar.
— E que o verdadeiro amor consiste
Na unificação daquilo que existe,
Mas que não se pode provar.
— Que o amor que tem por mim e que o acalma
É a profunda ligação de nossas almas
O que os cinco sentidos não podem explicar.
Eduardo de Paula Barreto