MEMÓRIAS

 

Me sinto um homem sofrido

Por não conseguir sobreviver

Daquilo que dá à minha vida sentido,

Me refiro à arte de escrever.

 

Preciso perder o meu precioso tempo

Com coisas que não têm valor,

Queria poder passar os meus momentos

Escrevendo versinhos de amor.

 

Odeio o sono que me faz dormir

E a fome que me leva à mesa,

O compromisso que me faz sair

E os meus momentos de fraqueza.

 

Quantos versos engoli

Por não poder expressá-los,

Com quanto aprendizado já convivi

Sem ter podido compartilhá-lo.

 

Queria uma ilha só para mim

De onde pudesse contemplar o céu,

Viveria feliz aguardando o meu fim

Deixando as minhas memórias num papel.

 

Eduardo de Paula Barreto