MEIO-TUDO
Sou apenas um meio-poeta
Porque não tenho uma musa.
Sou como alguém no frio que neva
Sem sequer dispor de uma blusa.
Sou apenas um meio-romântico,
Pois amo só nas fantasias e ilusões.
Não vivo um amor orgânico,
Discorro sobre alheias emoções.
Sou apenas um meio-escritor
Que jamais teve um mestre que ensina,
Alguém que ao escrever sente alegria e dor
E que não consegue expressar-se sem rimas.
Sou apenas um meio-humano,
Por isso nem sempre benquisto,
Talvez até um pouco insano
Por apegar-me ao que não pode ser visto.
Eduardo de Paula Barreto