MASMORRA FRIA

 

Fria masmorra

Ratos roendo os meus pés

A friagem esperando que eu morra

Pelo ralo esvaindo-se a fé.

 

Julgamento injusto

Igualmente injusto veredicto

Para eles sou homem inculto

Simplesmente porque não acredito.

 

Modelo de vida imposto

Ódio pelos que não o adotam

E no oprimido, marcas no rosto

Dor e indignação que não se esgotam.

 

Cartilha ditada nas escolas

Crianças sugestionadas:

‘Aprendam que a melhor das vitórias

É vencer sem ter suas lágrimas derramadas’.

 

Mas há aquele que se rebela

E não adota tal modelo como diretriz

E mesmo morrendo numa cela

Sorri, por não ter feito ninguém infeliz.

 

Eduardo de Paula Barreto