MARTELO
Saudade é ácido que corrói,
É mão que tapa o nariz,
É mal invisível que dói,
É indisfarçável cicatriz.
Saudade é prisão do passado,
É sonho às avessas,
É miragem no deserto escaldado,
É martelo na cabeça.
Saudade é laço
Que prende,
Saudade é braço
Que em vão se estende.
Saudade é beijo no vazio,
É carícia na lembrança,
É correnteza do rio,
É combustível da esperança.
Eduardo de Paula Barreto