MÃOS SUJAS

 

Beijo a mão da criança magrinha

Que embora suja de terra

Tem a alma mais limpa do que a minha

Alma da qual tanto se espera.

 

Com a sua pureza condicionada

Ao que consegue compreender

Olha ao redor e não entende nada

Condição que se esvai com o crescer.

 

Os anos tiram dos olhos o encanto

E a sujeira das mãos invade o corpo

Transformando o que era ignorante e santo

Em poço de conhecimento e desconforto.

 

Seja este viver

Reduto de oportunidades

Mas que todo o saber

Não elimine a santidade.

 

Eduardo de Paula Barreto