MÃOS SUJAS
Beijo a mão da criança magrinha
Que embora suja de terra
Tem a alma mais limpa do que a
minha
Alma da qual tanto se espera.
Com a sua pureza condicionada
Ao que consegue compreender
Olha ao redor e não entende nada
Condição que se esvai com o
crescer.
Os anos tiram dos olhos o encanto
E a sujeira das mãos invade o
corpo
Transformando o que era ignorante
e santo
Em poço de conhecimento e
desconforto.
Seja este viver
Reduto de oportunidades
Mas que todo o saber
Não elimine a santidade.