MADRUGADA

  

Foi deitar-se ainda cedo

Depois de um dia enfadonho,

Fechou os olhos com medo

De que o dia o acompanhasse em seus sonhos.

 

Foi tão breve o esperado sono,

Horas transformaram-se em segundos.

De manhã sentiu o peso do abandono

Ao ver que não tinha acabado o mundo.

 

Passou o dia esperando a madrugada,

Disfarçando a sua aflição.

A luz do Sol o punia como chibatadas,

Açoites produzidos pela impiedosa depressão.

 

Eduardo de Paula Barreto