LOURA
Já era fim de tarde na fazenda
E o camponês deixou a lavoura
Cavalgando em marcha lenta
Montado na velha jumenta
Que ele chamava de Loura.
Loura era obediente
E não se recusava a trabalhar
Nos dias frios e nem nos dias quentes,
Ela era uma jumenta diferente
Porque nunca ninguém a viu empacar.
Enquanto cavalgava
Sem sobrecarregar o animal,
Uma canção assobiava
E a jumenta relinchava
Formando um dueto sem igual.
Mas de repente o camponês
Assustou-se com a manobra
Que pela primeira vez
A sua jumenta fez
E no chão viu passar uma cobra.
Loura começou a ficar fraca
E logo arriou,
O camponês pegou sua faca
E fazendo um corte na pata
O sangue envenenado sugou.
Mas não adiantou nada,
O esforço foi todo em vão,
Loura ficou deitada
E com dificuldade respirava
Até que parou o seu coração.
O camponês a enterrou
E foi para casa em lágrimas
E assim que chegou
A todos contou
A sua experiência trágica.
Sem comer foi se deitar
E logo teve um sonho
No qual Loura a voar
Se aproximou devagar
Com um semblante risonho.
Ela então lhe falou
Que estava muito feliz
Porque sempre desejou
Poder cantar como um rouxinol
E voar como os colibris.
Bem cedo o galo cantou
Anunciando um novo dia,
O camponês se levantou,
Um outro animal selou
E foi trabalhar com alegria.
EDUARDO DE PAULA BARRETO