LÍVIA 
 
Lívia estava muito desligada
Caminhava dando tropeços
E quando saía apressada
Alguém na rua gritava:
— Lívia, a sua roupa tá do avesso.
 
Era também desastrada
Derrubava tudo no chão
Como motorista era uma piada
Só entrava em rua errada
E dirigia na contra-mão.
 
Mas nem sempre ela foi assim
O que teria acontecido?
Certo dia ela se aproximou de mim
E me chamando de José em vez de Joaquim
Revelou-me o segredo até então escondido.
 
— José, não não, Joaquim desculpa
Quero revelar-lhe um segredo
Sei que todo mundo me pergunta
O porquê de eu estar meio maluca
E eu não falo por ter medo.
 
— Sabe o que é meu amigo?
Vou contar só pra você
É que eu atendi ao pedido
Do Paulinho pra mostrar-lhe meu umbigo
E agora estou esperando bebê.
 
— Eu sou moça solteira
E acho que fiz uma burrada
Pois agora vivo sentindo tonteira
Passo acordada a noite inteira
E vomito feito uma condenada.
 
Estou desesperada
E nem consigo pensar mais
Minha barriga já tá dilatada
A minha cara arredondada
E eu ainda não contei pros meus pais.
 
Eu sugeri e ela resolveu
Contar tudo aos pais de uma vez só:
— Pai, mãe, o Paulinho e eu
Sabe? Aquilo lá aconteceu
E vocês dois vão ser avós.
 
Antes que a vizinhança descobrisse
Fez-se o casamento sem publicidade
A mãe não deixou que Lívia se cobrisse
Com o véu, pois assim ela disse:
— O véu representa castidade.
 
Lívia voltou ao equilíbrio emocional
Não estava mais dando tropeção
A gravidez foi totalmente normal
E pra alegria de todos no final
Nasceu um belo garotão.
 
Passou-se um ano apenas
E foi o Paulinho quem me procurou:
— Joaquim, tenho um problema
A Lívia vomitou no cinema
E na saída tropeçou!
 
Eduardo de Paula Barreto
01/08/2008