LIRA DE ORFEU 
 
Certa vez um cidadão
Ao caminhar sem direção
Viu num terreno sem fim
Um padre todo suado
Cortando o enorme mato
E o cumprimentou assim:
 
Bom dia senhor padre
Percebo a sua coragem
E a sua enorme fé
Sei que será bem-sucedido
E este mato infinito
O senhor cortará se Deus quiser.
 
Assim passaram-se os dias
E o homem de vida vazia
Voltou a perambular ocioso
E ao ver o limpo terreno baldio
Ficou admirado com o que viu
E assim falou para o religioso:
 
Caro padre como eu lhe havia dito
Agora tem um terreno bonito
Porque Deus o ajudou
E do outro lado do portão
O padre com mansidão
Assim se pronunciou:
 
Caro filho que caminha ao léu
Se eu esperasse pela ajuda do céu
Seria triste como a lira de Orfeu
Pois o senhor se lembra como era
Este lindo pedaço de terra
Quando estava nas mãos de Deus?
 
Eduardo de Paula Barreto
06/12/2010