LÍNGUA LUSITANA 

 

Escreverei um poema errado

Sem me preocupar com as regras,

Me darei o direito de ser abusado

Sem me preocupar em ser criticado

Por desrespeitar a gramática e a métrica.

 

Não distribuirei os versos em estrofes

E nem me importarei com a dialética,

Não me desgastarei buscando por rimas nobres

E se acaso acharem que o meu texto é pobre,

Direi que faço uso da licença poética.

 

O substantivo será transformado em adjetivo

E o pronome em numeral,

O aumentativo se tornará diminutivo

E para que tudo não faça sentido,

Misturarei gênero, número e grau.

 

  Sem ligar para a morfologia

Nem para a nomenclatura gramatical,

Escreverei as minhas poesias

Mesmo que sejam cheias de cacofonias

E erros de concordância nominal e verbal.

 

Em terras sul-americanas

Ou em européias

E também em terras africanas

Essa língua lusitana

Me dará trabalho, mas não reprimirá as minhas idéias.

 

Eduardo de Paula Barreto