LIMÃO VAIDOSO
Sentei-me sob o limoeiro
Esperando por alguma
inspiração
Para escrever um poema
brejeiro
Fiquei lá o dia inteiro
E o que veio à minha cabeça
foi um limão.
Ele se jogou lá de cima
Por ter vaidade extrema
E disse: — Meu nome dá rima
Não sou doce como
laranja-lima
Mas posso inspirar o mais
lindo poema.
Apesar de ser azedo
Sou amigo da criançada
Que vem e me colhe sem medo
Me mistura com água, açúcar
e gelo
Me transformando em
limonada.
Os ébrios também adoram
Ter muitos de mim na cozinha
Com minha casca adornam
Os copos de pinga nos quais
me entornam
Me transformando em
caipirinha.
Me irritei com o limão
falante
E saí com ele daquele local
E neste exato instante
Estou numa mesa de
restaurante
Escrevendo e comendo o limão
com sal.
Eduardo
de Paula Barreto
10/09/2008