LICENÇA POÉTICA
Superando as limitações da fonética
E as barreiras do vocabulário,
Faço uso da licença poética
E transformo em real o meu mundo imaginário.
Concha que nada no mar,
Codorna que voa no alto,
Caneta que parece pensar,
Homem que não desce do salto.
Pés de mesa que não caminham,
Ônibus que se pode pegar,
Trens que nos trilhos dos olhos se alinham,
Cabeças que fervem sem evaporar.
Coração que sai pela boca,
Cárcere localizado no ventre,
Crânio vazio, câmara oca,
Alma que até dor sente.
Não finco cerca na minha imaginação
Nem tenho a pretensão de tudo saber,
Mas enquanto eu tiver uma caneta em minha mão
Serei alado pelo menos ao escrever.
Eduardo de Paula Barreto