LAVANDO A ALMA

 

Lave-me doce chuva,

Refresque minha alma,

Deixe minha pele úmida,

Forme poças em minha palma.

 

Mostre a minha imagem

Refletida em suas águas.

Me transporte numa viagem,

Me leve, mas não me traga.

 

Quero ver-me de bem longe,

Analisar os meus anseios,

Descobrir onde a paz se esconde,

Onde cabe empurrão, onde cabe freio.

 

Que ciente de quem sou

Possa voltar ao meu corpo,

Enxugar o que a chuva molhou

E conquistar-me cada dia mais um pouco.

 

Eduardo de Paula Barreto