LARVA DE BORBOLETA

 

Até parece que não me incomodaria,

Que acharia tudo perfeitamente normal

Se a paixão acabasse um dia

Se transformando em amor fraternal.

 

Talvez passássemos a ser bons amigos,

Acostumados um com a presença do outro.

Diríamos adeus à nossa libido,

Na cama nos consideraríamos mutuamente estorvos.

 

Não seríamos mais tão pacientes,

Nem sorriríamos em piadas sem-graça,

Andaríamos até de braços dados, fingindo contentes,

Vivendo diariamente a mesma farsa.

 

Os anos passariam,

Permaneceríamos juntos vida afora,

Assim descobriríamos

Que o amor só se alimenta do agora.

 

Então chegaríamos à conclusão

De que o amor é como larva de borboleta

A qual passa por mutação

Para continuar integrando o planeta.

 

Eduardo de Paula Barreto