JUSTICEIRO AVIÁRIO
 
Quando vejo uma gaiola
Onde canta por horas
Um passarinho solitário
Fico bravo com o dono
E por pouco não me torno
Um justiceiro aviário. 
 
 Mas o que me deixa mais triste
É saber que lá longe existe
Um homem muito malvado
Que prende em gaiolas pequenas
Uns passarinhos sem penas
Mas que vivem sempre armados.
 
Eles são inofensivos
E como lindos cupidos
São conhecidos em todo lugar
E aqueles que são libertados
Saem atirando pros lados
Pra fazer o povo se apaixonar.
 
Eles têm flechas pontudas
Que não acabam nunca
E costumam sempre treinar
Para melhorar a pontaria
Pois a sua alegria
Consiste em ver gente se amar.
 
Mas estou muito chateado
Pois um cupido aposentado
Me revelou um segredo
Disse-me que o meu cupido
É um anjinho muito bonito
Mas que ainda continua preso.
 
Eduardo de Paula Barreto
16/02/2012