JORNAL COMO ABRIGO

 

 

Um homem abriu o jornal sentado numa limusine,

Irritou-se ao ler o caderno de economia,

Dirigiu-se ao motorista particular e lhe disse:

– Essa alta do dólar me dá agonia!

 

Jogado pela janela, apenas um velho jornal,

Coberta para o mendigo,

Informativo considerado banal,

Letras transformadas em abrigo.

 

O mundo registrado em matérias,

Os mais variados assuntos

Envolvem a vítima da miséria,

Tema de maior debate no mundo.

 

Deitado leu umas palavras, pois não resistiu,

Não se viu no texto, sentiu-se como um inseto,

Reconheceu haver tantos outros como ele no Brasil,

Então pensou: – Eu preferiria ser analfabeto!

 

Eduardo de Paula Barreto