JORNAL COMO ABRIGO
Um homem abriu o jornal sentado numa limusine,
Irritou-se ao ler o caderno de economia,
Dirigiu-se ao motorista particular e lhe disse:
– Essa alta do dólar me dá agonia!
Jogado pela janela, apenas um velho jornal,
Coberta para o mendigo,
Informativo considerado banal,
Letras transformadas em abrigo.
O mundo registrado em matérias,
Os mais variados assuntos
Envolvem a vítima da miséria,
Tema de maior debate no mundo.
Deitado leu umas palavras, pois não resistiu,
Não se viu no texto, sentiu-se como um inseto,
Reconheceu haver tantos outros como ele no Brasil,
Então pensou: – Eu preferiria ser analfabeto!