JOÃO DE BARRO

 

 Não quero você tão grudada assim,

Isso me deixa sufocado.

Pode permanecer perto de mim,

Mas não fique em cima, apenas ao lado.

 

Não me impeça de querer voar,

Deixe que eu bata minhas asas.

Se você não quer me incomodar,

Eu durmo aqui e você na sua casa.

 

Esse é o meu jeito de amar,

Livre como são os passarinhos

Que mesmo com o poder de sumir no ar

Sempre voltam para o aconchego do ninho.

 

Portanto sou um João-de-barro

Que quer construir o seu eterno lar,

Ninho de amor, cumplicidade e amparo,

Mas sem nenhuma porta para eu poder voar.

 

Eduardo de Paula Barreto