JOANINHAS
Manhã de sábado ensolarado
Uma linda moça a caminhar
Pisando com todo cuidado
Para não cometer o pecado
De pequenos bichos matar.
São formigas cortadeiras
E grilos a saltar
Sobre as ervas-cidreiras
E joaninhas fofoqueiras
Se juntando para fofocar.
— Olha só essa menina
Que não pára de assobiar
Então se aproxima uma
formiga
E diz: — Ela é uma metida
Que se exibe em todo lugar.
Sem perceber nada
A menina segue feliz
E ao ver flores na estrada
Se agacha e fica encantada
Com a beleza da flor-de-lis.
Logo ouve o barulho
De águas a cair
Então sobre os pedregulhos
Corre e dá um mergulho
E dentro d’água continua a
sorrir.
Os peixes ficam contentes
E fazem este comentário:
— Nossa, é aquela moça gente
Que nos permitiu viver
novamente
Quando nos libertou do
aquário!
Ela se senta numa pedra
E tira a água dos cabelos
Mas de repente escorrega
E durante a queda
Bate nas pedras um joelho.
Neste momento ela vê surgir
Um rapaz forte e cheio de
coragem
Que mergulhando sem se
despir
A segura e a arrasta dali
Levando-a para a margem.
— Desculpe o atraso minha
amada
É que parei para colher
algumas flores
Mas me diga está machucada
Por que está tão calada
Por acaso sente dores?
— Não meu querido namorado
Não sinto nenhuma dor
Na verdade estou ainda mais
apaixonada
Por saber que a pessoa por
mim amada
É cheia de cuidados e
destemor.
Depois de um beijo demorado
Eles voltam para casa
cantando
Ora de mãos dadas, ora
abraçados
Olhando a cada passo dado
Para os bichinhos que vão
passando.
Então as joaninhas dizem:
— Só faltava essa
Agora são dois humanos
felizes
Que saltam feito codornizes
E assobiam alto à beca.
Eduardo
de Paula Barreto
28/08/2008