JARDIM DEMOCRÁTICO

  

A sociedade produz os seus astros,

Do nada alguém se torna celebridade.

A esses se fornece campos vastos,

Inúmeras e seguras oportunidades.

 

A fonte da fortuna não importa,

O que vale é o que se pode ostentar.

Com dinheiro e poder se abre qualquer porta

E nem às leis se permite subjugar.

 

A outros impõe-se apenas obrigações,

Não lhes é permitido participar da ceia,

São eles como insetos, transformados em refeições,

Pegos pela aranha na armadilha da teia.

 

Vive-se ouvindo a palavra ‘democracia’

Cujo verdadeiro significado continua um mistério.

Ela é certa apenas quando não mais se pronuncia

No silêncio fúnebre de um frio cemitério.

 

Eduardo de Paula Barreto