IRREPARÁVEL PERDA
Olhando por todo canto,
Caminha cansado, sôfrego.
Momento cheio de pranto,
Encosta-se, pois não tem mais fôlego.
Pergunta ao transeunte:
– Onde foi que deixei cair?
– Deixou cair o que? Que mal lhe pergunte.
– Não sei, preciso descobrir.
Segue então angustiado,
Encontra uma menininha
A qual lhe adverte com todo o cuidado:
– Você não cuidou da sua, mas eu mantenho a minha.
Chora lágrimas de dor,
Olha para frente, mas não enxerga nada.
No trajeto toma um pequeno botão de flor,
Não consegue crer que será rosa desabrochada.
Ao ver os que sofrem na beira da estrada,
Não encontra palavras que os possam estimular,
Eles olham esperando uma frase, mas não ouvem nada,
O coração do homem bate, mas nem por isso o faz acreditar.
Passando pela entrada de uma cidade
Encontra um pequeno grupo de crianças
Que brincam acreditando que encontrarão a felicidade,
Pois nelas ainda habita o que o homem perdeu, a esperança.
Eduardo de Paula Barreto