INVEJA
Orvalho inveja a chuva
Por não vir das alturas.
É fruto da condensação do vapor que muda
Tranformando-se em gota d’água tão miúda.
Como o orvalho, sou invejoso,
Tudo o que te cerca me deixa frustrado.
Espero que o Universo seja generoso
E não me puna por mais este pecado.
Invejo tuas roupas,
Elas não têm que te procurar
E o batom que beija tua boca
Sem precisar te conquistar.
Invejo o ar que respiras,
Que te explora e acaricia,
Refresca-te quando transpiras,
Prende-se em ti quando o inverno inicia.
Invejo o sangue que flui em tuas artérias,
Que te conhece com exatidão,
Pois mesmo sem precisar dar-te azaléias
Tem acesso livre ao teu coração.
Eduardo de Paula Barreto