INIMIGO DO TEMPO

 

Eu corri mesmo,

Podem me chamar de covarde,

Apenas saí a esmo

E cheguei em casa bem tarde.

 

Eu me entreguei totalmente,

Não tenho vergonha de dizer

Que me encontrei de repente

Sem saber o que fazer.

 

Nem gastei tempo com o banho,

Pulei direto na cama,

Minha família achou estranho

Me deitar com a roupa cheia de grama.

 

Nunca vi uma noite tão demorada,

As horas se recusavam a passar,

Nem acreditei ao ver que a alvorada

Chegava para me libertar.

 

Desta vez tomei banho e saí,

Fui depressa, mas sem suar,

Cheguei perto dela e disse: – Tudo bem aí,

Será que poderíamos conversar?

 

O que será de mim agora

Que me envolvi com a sua energia?

Vou para casa e fico contando as horas

E passo as noites na mais profunda agonia.

 

Longe de você o relógio não trabalha,

Parece que o tempo conspira a seu favor,

Porque a saudade que sinto corta como navalha

E me compele a correr buscando refrigério em seu calor.

 

Eduardo de Paula Barreto