INIMIGO DO TEMPO
Eu corri mesmo,
Podem me chamar de covarde,
Apenas saí a esmo
E cheguei em casa bem tarde.
Eu me entreguei totalmente,
Não tenho vergonha de dizer
Que me encontrei de repente
Sem saber o que fazer.
Nem gastei tempo com o banho,
Pulei direto na cama,
Minha família achou estranho
Me deitar com a roupa cheia de grama.
Nunca vi uma noite tão demorada,
As horas se recusavam a passar,
Nem acreditei ao ver que a alvorada
Chegava para me libertar.
Desta vez tomei banho e saí,
Fui depressa, mas sem suar,
Cheguei perto dela e disse: – Tudo bem aí,
Será que poderíamos conversar?
O que será de mim agora
Que me envolvi com a sua energia?
Vou para casa e fico contando as horas
E passo as noites na mais profunda agonia.
Longe de você o relógio não trabalha,
Parece que o tempo conspira a seu favor,
Porque a saudade que sinto corta como navalha
E me compele a correr buscando refrigério em seu calor.