INDULGÊNCIAS

 

Passam-se os séculos

E as máscaras são derrubadas,

Foram tantos os crédulos

Transformados em escravos perpétuos,

Pobres almas duramente subjugadas.

 

Na obediência a esperança de recompensa dos Céus,

Na rebeldia a certeza de sagrada punição,

Um inocente religioso colocado como réu

Diante de um Deus supostamente cruel,

Ávido por impor a condenação.

 

  Sob ameaças divinas

Criadas pela humana imaginação

Segue o fiel olhando para cima

Esperando que se abram as cortinas

E que suas expectativas obtenham confirmação.

 

São pensamentos restringidos,

Atitudes proibidas,

Limitação do livre-arbítrio,

Inúmeros benefícios materiais obtidos

Com o sacrifício de alheias vidas.

 

O homem nasceu para ser livre

E cumprir a medida da sua existência,

Portanto só é livre aquele que vive

Com a certeza de que um Deus existe,

Mas que não limita o crescimento em troca de indulgências.

 

Eduardo de Paula Barreto