IMPERECÍVEL

 

Da fruta que se estraga

Do pão que se embolora

Do amor que se acaba

E da paixão que vai embora.

 

Sempre fica um resíduo

Algo que nos faz lembrar

Do doce beijo do indivíduo

E do alimento antes de se estragar.

 

Nos alimentamos com lembranças

Lembranças se pode moldar

Focamos certas circunstâncias

E outras tratamos de apagar.

 

Consertando o passado

Podemos então nos preparar

Para ter novos campos plantados

Novos corações apaixonados

Sem medo de se entregar.

 

A fruta será sempre madura

E o pão constantemente fresco

E para o amor ir às alturas

Criando uma completa criatura

A paixão surgirá como um pretexto.

 

Eduardo de Paula Barreto