O HOMEM SEM PERNAS

 

Sinto-me como um homem sem pernas

Que trabalha fabricando patins

Que um mundo de ilusões governa

E que acredita ter como missão eterna

Produzir alegria sem fim.

 

Sinto-me como um homem sem fala

Que trabalha escrevendo refrões

Cujo coração quase pára

Quando se depara

Com o entoar das suas canções.

 

Sinto-me como um homem sem visão

Que trabalha pintando paisagens

O qual se inunda de emoção

Ao sentir que tem nas mãos

A passagem para inesquecíveis viagens.

 

Sinto-me como um homem solitário

Que trabalha inventando piadas

O qual encontra conforto diário

Quando ouve através da porta do armário

Um monte de gente dando risada.

 

EDUARDO DE PAULA BARRETO