HERDEIROS E HERANÇAS
Não sei se é motivo para rir
Ou se devo chorar,
Não tenho herança para deixar
Nem mulher para parir,
Não deixarei semente para germinar.
Talvez eu até deva sorrir
Por não fadar ao desalento
Aquele que seria o meu rebento
E que quando os olhos pudesse abrir
Veria um mundo em sofrimento.
Seria livre, mas sem total liberdade,
Teria que conviver com os desequilíbrios,
Veria surgir amigos e inimigos,
Experimentando a dor e a felicidade,
Ora esperançoso, ora desiludido.
Viveria num mundo de conflito eterno,
Desigualdades e intolerância,
Desejaria não deixar de ser criança
E voltar ao ventre materno
Abrindo mão da sua herança.
Eduardo de Paula Barreto