GUIOMÁ
Minha morada era longe da cidade,
Não me importava o quanto eu tinha que andá.
Porque eu sempre tava acompanhado
Por minha muié que se chamava Guiomá.
Na estradinha nóis ia de braço dado,
As veiz até ela pedia pra eu tocá
Uma modinha, pois eu tinha uma viola
Que eu não largava nunca em nenhum lugá.
Nóis ia cantano bem feliz pelo caminho
E ela sempre fazia a segunda vóiz,
Os passarinho parecia acompanhá,
Cantava junto, eles não largava nóis.
Quando chovia nóis se protegia nas arve,
Se apertava e aproveitava pra namorá,
Enquanto a chuva não resorvia ir embora,
Bem grudadinho nóis ficava a esperá.
Esse caminho nóis fazia todo dia,
As mema coisa nóis buscava no armazém.
Todas as pessoa que nos via comentava:
- Eu nunca vi um casal assim se dá tão bem.
A alegria era a rotina da minha vida,
Tocá viola do lado do ser amado,
Mais Guiomá foi ficando bem fraquinha
Até que Deus resorveu tirá ela do meu lado.
Aquela estrada nunca mais vai ser a mema
E a viola nunca mais vai me ouvi cantá.
A minha vida virô um grande dilema
No dia em que eu perdi a minha querida Guiomá.