GRITO

  

A voz que grita bem alto

Clamando por socorro,

Mistura-se aos ecos incautos

Que ressoam por entre os morros.

 

O olhar que longas distâncias atinge,

Mas que não pode se fazer notar,

Faz surgir a sensação de que de morto se fingem

Todos os que foram flagrados pelo olhar.

 

Gestos lançados inutilmente,

Tentativa de destacar-se na invisível multidão,

São súplicas de um ser carente

De um pouco mais de atenção.

 

Cansado, desiste da luta,

Refugia-se noutra dimensão.

Não mais insiste nesta busca,

Aceita como companheira a solidão.

 

Eduardo de Paula Barreto