GRÃO

 

Do atrito dos rochedos

Surgiu um pequenino grão

Que ao misturar-se aos demais sentiu medo,

Pois a maré o tornou indefeso

Ao não permitir que ele se fixasse no chão.

 

Nos poucos momentos que emergiu

Sentiu inveja da areia da praia distante,

Mas novamente submergiu

E julgou o seu viver vil

Ao ser jogado numa concha gigante. 

 

  Os anos se passaram

Na mais completa escuridão,

Os demais grãos o ridicularizaram

E as águas se gabaram

Por o terem lançado na prisão.

 

Mas certo dia a concha se abriu

E o grão viu-se como uma esférula

E quando a luz do sol nele se refletiu

Ele surpreso descobriu

Que havia se transformado numa pérola.

 

Eduardo de Paula Barreto