GÊNIO MAL-AGRADECIDO

 

Sendo o amor doce veneno,

Eu me acho um suicida

Que o engole mesmo sabendo

Que isto representa apreço pequeno

Pela dádiva da vida.

 

Sendo o amor presas de serpente,

Eu me acho um caçador

Que caminha corajosamente

E vendo tal animal à sua frente

Luta até a sua última gota de suor.

 

Sendo o amor pura loucura,

Eu me acho um doente mental

Que sobe nas maiores alturas

E no meio de uma noite escura

Salta para alçar um vôo sideral.

 

Sendo o amor uma história infantil,

Eu me acho vítima de um gênio mal-agradecido

Que de uma lâmpada surgiu,

Mas que em seguida partiu

Sem me deixar fazer os três pedidos.

 

Eduardo de Paula Barreto