GARRAFA PET  
 
Na noite passada tive um sonho
No qual eu não era uma pessoa
Eu era um sapo bem tristonho
Sobre uma pedra duma lagoa.
 
Eu coaxava a noite inteira
Num canto longo e fino
Esperando atrair uma companheira
E encher a lagoa com nossos girinos.
 
Depois de várias noites seguidas
A natureza finalmente me ouviu
Coaxei com voz enfraquecida
E uma fêmea o meu coaxar repetiu.
 
Cada noite que se passava
Ela chegava mais perto
E eu da pedra não me retirava
Pois a estratégia estava dando certo.
 
Finalmente pude vê-la
Já chegando perto de mim
Eu sorri ao achá-la tão bela
E ao saber que a busca chegara ao fim.
 
Mas começou a chover torrencialmente
E me firmei bem para evitar uma queda
E ao estar próximo o suficiente
Vi que ela não estava sobre uma pedra.
 
A lagoa então transbordou
E o vento que nunca se compadece
Para longe de mim a levou
Porque ela estava sobre uma garrafa pet.
 
Eduardo de Paula Barreto
07/09/09