GAROTOS E BODES 
 
O telefone novamente tocou
E o atendente logo o pegou
Devido ao som estridente:
— Por acaso esse é o departamento
Que investiga maus tratamentos
Contra a criança e o adolescente?
 
Sim está correta a sua ligação
Mas qual é a razão
Que o fez nos procurar?
— É que tem uma mulher neste endereço
Que tem quatro filhos travessos
Os quais ela não sabe criar.
 
— Veja só se pode
Criá-los em meio a dez sujos bodes
O que está a lhes influenciar
Eles estão muito diferentes
Não conversam mais com a gente
Os senhores precisam investigar.
 
Seu Fernando então foi destacado
Para apurar o que foi denunciado
E deslocou-se ao endereço correndo
— Boa tarde minha senhora
Recebi uma denúncia ainda agora
De que seus filhos estão sofrendo.
 
— Nos informaram que eles são criados
Em meio a dez bodes pouco asseados
E que isso influencia o seu desenvolvimento
— Mas que absurdo seu moço
Estes bichinhos são limpos e mansos
E veja a saúde dos meus rebentos!
 
— Então faça o favor de chamar
Todos eles para eu comprovar
Que o denunciante agiu de má fé
— Pois não seu Doutor é pra já
Venham crianças, venham cá
Andrééé, Josééé, Josuééé e Noééé.
 
O seu Fernando ficou assustado
E no relatório deixou anotado
Que a denúncia era exata
E ao se abaixar para pegar no chão
A caneta que caiu de sua mão
No traseiro recebeu cabeçadas.
 
Aí então ele foi embora tremendo
E no relatório escrevendo
O que lhe pareceu um fato triste
E no final considerou-se de sorte
Pois poderia ter encontrado a morte
Se os garotos já tivessem chifres.
 
Eduardo de Paula Barreto
 
29/10/2009