GARÇA
Caiu garça ferida,
As suas asas não mais bateu,
Ave covardemente abatida
E a escuridão desceu.
Inúteis tentativas
De trazer de volta o sopro,
Mais uma vida perdida,
Mais um inerte corpo.
O companheiro impotente presencia
Com dor olhando para o estrelado céu
E aumenta a sua agonia
Ao ver a amada ser levantada como um troféu.
Como será agora o seu voar?
Que aconchego terá no ninho?
De que valerá o ir e voltar
Se for para estar sozinho?
Ao ver o caçador no outro dia
Mirar para ele em seu leito
Ele solta um grito de agonia:
— Vai covarde, atire em meu peito.
Eduardo de Paula Barreto