GAMETAS POÉTICOS
Como é bonito ver o poeta
Que se casa com uma caneta
E gera filhos no papel
Que surgem como herdeiros
Das certezas e devaneios
Do marido mais fiel.
Chega a ser espiritual
A cumplicidade do casal
Que dá à luz filhos sem parar
E até quando a caneta seca
A poesia se manifesta
Em repetições para decorar.
Presos no ventre
Da criativa mente
Versos anseiam pelo parto
Pois vão se
acumulando
E o poeta vai ficando
À beira de um infarto.
Pobre do poeta cuja idéia
Seja ser aplaudido por platéias
Para que com os versos enriqueça
Mas o poeta de real brilho
Realiza-se ao
ver os seus filhos
Amadurecendo em outras cabeças.
Eduardo de Paula Barreto
01/12/2011