FOME

  

O homem desnorteado

Anda cabisbaixo, humilhado

Precisando se alimentar.

 

No balcão debruçado,

Pede para que lhe vendam fiado,

Ao que lhe nega o dono do bar.

 

Sai andando pedindo uns trocados,

Os transeuntes olhando desconfiados

Não se furtam em lhe ignorar.

 

Desanimado chega em casa,

A esposa e filhos abraça,

Isso é tudo o que pode lhes ofertar.

 

Ao ouvir a família unida

Perguntar se ele trouxe comida,

O pobre homem se põe a chorar.

 

E envolvendo seus filhos nos braços,

Ele pede perdão pelo fracasso,

Por não ter como lhes sustentar.

 

Pela manhã ele procura um emprego,

Dessa vez acabou o seu medo,

Ele começa a trabalhar.

 

Leva alimentos em suas mãos,

A esposa prepara uma refeição

Como há muito não podia experimentar.

 

E com a família sentada à sua volta

Agradece a Deus pelas tribulações sem revolta,

Pois foi a fome que lhes ensinou o que é amar.

 

Eduardo de Paula Barreto