FOLHAS SECAS

 

As pedras que do morro rolam

E se abrigam na beira do rio

De inanimadas se transformam

Em obra que o Universo esculpiu.

 

As águas sujas dos córregos

Que evaporam desprendidas

De simples líquido mórbido

Tornam-se fonte de vida.

 

As folhas secas que se soltam

Voando sem direção

Com outra função voltam

Agora são adubo para o chão.

 

O homem sensato

Que sempre tem esperança

Ao olhar o seu retrato

Vê que também passou por mudanças.

 

Como pedras rolamos

Como água fazemos florir

Como folhas secas alimentamos

E por aceitarmos as mudanças podemos sorrir.

 

Eduardo de Paula Barreto