FOLHAS DE SÃO LOURENÇO

Uma homenagem à minha cidade natal

 

As árvores lançam ao vento suas folhas

Que se desprendem delas no outono,

Não se vão por sua própria escolha,

Mas também não se trata de abandono.

 

Com as folhas se vão também as sementes,

Pois a natureza tem suas próprias diretrizes

E mesmo estando as árvores assim tão diferentes

Nunca se separam de suas raízes.

 

Sou como uma folha que ainda nova foi lançada

E que percorreu um trajeto imenso,

Cruzou, campos, serras, rios e estradas,

Mas que deixou suas raízes em São Lourenço.

 

E os trezentos quilômetros de distância

Não conseguiram romper os filamentos

Que me mantêm ligado à esta conhecida estância,

Cidade das águas, minha São Lourenço.

 

A memória resgata momentos de minha infância,

As mais marcantes ocorreram nessa cidade

Quando nos reuníamos para as brincadeiras de criança

E brincar nos jardins com os meus primos era pura felicidade.

 

Charretes, pescaria, liberdade e pedalinhos,

O andar tranqüilo, as casas de portas abertas,

Um bom dia para o Seo José, o sorriso do vizinho,

Novas razões para expressar amor a cada dia descobertas.

 

Árvore frondosa, eterna e generosa

Que renova suas folhas e está sempre bela,

Mística cidade de energia poderosa,

Por muitos considerada o centro energético da Terra.

 

Que pena que uma criança não possa decidir,

Assim como as folhas, para onde será levada,

Mas se eu pudesse no tempo retroagir

Eu seria uma folha que jamais teria sido arrancada.

 

O perfume puro dessa árvore tem aromas ideais

Que mantêm suas antigas folhas com um só pensamento,

De voltar aos galhos fixados em Minas Gerais

E abraçar apertado a grande árvore mãe, São Lourenço.

 

Eduardo de Paula Barreto