FOGÃO A LENHA
Restos de cinza no chão,
Um aroma indescritível,
No canto panela e pilão,
Na barriga fome incrível.
No velho fogão a lenha
A madeira em brasa,
A torcida para que ninguém venha
Nesta hora visitar a casa.
Crianças sentadas à porta
Comendo o cheiro do ar,
De olhos fixos na torta
Que só a Preta velha sabe preparar.
A mesa é então colocada
Sobre a toalha xadrez,
A molecada esfomeada
Come tudo de uma só vez.
A Preta velha sentada
Eleva a Deus um louvor,
Agradece por ser agraciada
Com a vida no interior.
Eduardo de Paula Barreto