FILHOTES ESFOMEADOS
Naquela manhã fria
O lindo pássaro acordou
E viu que a sua cotovia
Estava em enorme alegria
E ele então perguntou:
- Por que este largo sorriso
E tão grande brilho nos olhos?
Então a cotovia de improviso
Se preparou para dar-lhe o aviso:
- Meu bem, os bebês sairam dos ovos.
Foi tão grande a felicidade
Que invadiu o peito daquele passarinho
Que ele saiu sobrevoando a cidade,
Cantando com vontade
E só de tarde retornou para o ninho.
Quando ele chegou
Chorou desesperado,
Lá ninguém encontrou,
No ninho apenas restou
Pedaços dos ovos quebrados.
Ele novamente saiu,
Mas agora piando de tristeza
E lá do alto ouviu
Um piado que o atraiu
Era a cotovia numa gaiola presa.
Ele se aproximou angustiado
E perguntou: - O quê aconteceu?
A cotovia com os filhotes ao lado
Disse que assim que ele saiu apressado
Um menino roubou o ninho e os prendeu.
Então o esperto passarinho
Teve uma idéia brilhante:
- Me dê os nossos filhinhos,
Eles são tão pequenininhos
Que passarão pela gaiola num instante.
Assim salvaram os récem-nascidos
Que foram levados para um lugar seguro
E o preocupado pai pensou consigo:
- Vou chamar os meus amigos
E tirar aquela gaiola do muro.
Ele procurou uma águia
E disse: - Ó nobre ave altaneira
Que dentre todas é a mais sábia,
Salve a cotovia solitária,
Traga de volta a minha companheira.
Então a águia compadecida
Saiu voando sem demora
E os outros pássaros na torcida
Viram a águia enfurecida
Arrancar do muro a gaiola.
No alto de uma paineira
Com as garras ela destruiu a prisão
Dando liberdade à prisioneira
A qual cantou uma canção inteira
Para demonstrar a sua gratidão.
Os pássaros voaram apressados
Em direção ao seu novo abrigo
E sorriram ao ver os esfomeados
Filhotes com os bicos escancarados
Como se nada tivesse acontecido.
EDUARDO DE PAULA BARRETO