FILA

 

 

Na sensação de completo abandono,

Abraçado aos joelhos em desespero,

Sem saber aonde e nem mesmo como

Sair do meio do atropelo.

 

Estranhos rostos, olhares interrogativos,

Críticas prévias, pré-julgamentos.

Todo homem sentado na calçada se torna mendigo,

Vêem o homem, mas não os seus sentimentos.

 

Pasta na mão, lágrimas na face,

Esperança por um minúsculo fio.

O Sol brilha e embora disfarce

Não consegue tirar do peito o frio.

 

Foram tantos anos de dedicação

Com o intuito de ser alguém preparado,

Agora vê ao seu lado outros com currículo na mão

Numa quilométrica fila de desempregados.

 

Eduardo de Paula Barreto