FICÇÕES
Criamos nossas próprias ficções,
Somos os interpretes de nós mesmos.
Fantasiamos degustar caros salmões
Enquanto mastigamos gordurosos torresmos.
O personagem desce os becos da favela
Imaginando ver mansões, assim se ilude,
Pára no boteco, manda uma pinga na goela,
Finge estar brindando com uísque em hollywood.
Meio tonto vai para a avenida,
Estica o dedo para um ônibus lotado,
Sobe, se espreme, fecha os olhos e imagina
Estar sentado no banco de trás de um carro importado.
Chega na obra, tudo parece exatamente igual,
Na hora do almoço aquela mesma comida,
No sonho se transforma em diretor de multinacional,
Na realidade é só mais um figurante no filme da sua própria vida.
Eduardo de Paula Barreto